A Idade Média, de modo geral, representa o período que se inicia a partir da queda do Império Romano, e tem o seu fim com surgimento do movimento renascentista. Entramos em contato com o ambiente medieval desde cedo, isto o ocorre a partir do momento em que foi a fonte de diversas histórias infantis, lendas, filmes e jogos. Tanto as crianças como adultos desenvolverem certo interesse pela Idade Média acaba por se tornar algo muito comum, principalmente por conter inúmeros mistérios e lendas em torno de si.
O termo Idade Média foi criado, pelos humanistas no século XVI, provavelmente por Petrarca, “medium tempus”. Definia algo que havia chegado ao fim. Os homens renascentistas adotaram o sentimento de que o período medieval não passava de uma época obscura, onde não havia o culto às letras, às artes e à produção de conhecimento racional. No século XVIII, com a chegada do Iluminismo, a depreciação da era medieval aumenta, dando origem ao termo “Idade das Trevas”.
Ao pensar sobre a era medieval, é possível enxergá-la destes dois modos. De um lado os contos de fadas, a beleza e a riqueza da monarquia medieval, a bravura dos cruzados, e por outro lado, a intolerância religiosa, a bruxaria, a inquisição, os livros proibidos e queimados.
A Baixa Idade Média, período entre os séculos IX e XV, onde se encontram os assuntos mais interessantes e polêmicos, permite que sejam tratados ambos os lados da medievalidade.
Porém, limitando o estudo a três temas específicos: cruzadas, igreja e heresias, com a tentativa de expor imparcialmente os fatos ligados à Idade Média, a pretensão do trabalho está em descrever precisamente a época e os assuntos escolhidos, de forma clara, simples e sem restrições.
Em meio à uma grande desorganização tanto da parte administrativa, como econômica e social produzida pelas invasões bárbaras, principalmente germânicas, e ao fato de que o Império Romano havia se desfeito, praticamente apenas a Igreja Católica, com sede em Roma, conseguiu manter-se como instituição. Durante a Época Média, conquistou e manteve grande poder. Possuía muitos terrenos, influenciava nas decisões políticas dos reinos, interferia na elaboração das leis e estabelecia padrões de comportamento moral para a sociedade. Como o visto, a Igreja passou a exercer um importante papel em diversos setores da vida medieval, tanto culturais como sociais e políticos.
“Tal como os magistrados de Roma, a Igreja se separa da massa, pela ordenação, o clero, tomado como corpo privilegiado.” O poder da Igreja era visível, e abrangente, nas palavras de Jacques Le Goff, ”O cristianismo medieval não subverte apenas a relação com o tempo, os ciclos e a duração. Esforça-se por encarnar a encarnação, se assim posso dizer, graças a eucaristia: cada missa, cada dia, em todo lugar poe Deus entre os homens hic et nunc, aqui e agora”.
Dentro da sociedade Medieval, qualquer que seja o seu nível de cultura ou de conhecimento, os homens da Idade Média encontravam na Bíblia os fundamentos do saber e da verdade, apesar de os únicos a ter acesso a leitura bíblica são os membros do clero, e pessoas extremamente cultas, conseqüência dá inexistência de traduções, eram escritas apenas em latim.
Com a supervalorização da Igreja, há uma desvalorização do indivíduo (no século XIII , entretanto, interessou-se mais do que os séculos anteriores), limitando o número de personagens “biografáveis”, alguns deles são: Abelardo, São Bernardo, São Francisco de Assis, o Imperador Frederico II e São Luís.
DUBY, Georges. As três ordens ou o imaginário do feudalismo. Editorial Estampa. 1994.
LE GOFF, Jacques. O céu desce sobre a terra. In: Em busca da Idade Média. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro-RJ. 2008.
LE GOFF, Jacques. A Idade Média acaba em 1800. In: Uma Longa Idade Média. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro-RJ. 2008.